Spray o vilão da oftalmologia equina

Nunca use spray no olho do seu cavalo

Infelizmente o uso de medicamentos em spray aerossol tem sido uma rotina constante para tratamento de lesões oftálmicas em equinos. O problema é que o spray causa lesões mecânicas na córnea por ser muito agressivo, mesmo quando administrado a distâncias maiores. Além da agressão mecânica causada pela força do spray, muitos destes produtos médico veterinários são à base de corticosteroides (hidrocortizona, dexametazona etc.), os quais são totalmente contra indicados em equinos para tratamento de úlcera de córnea.
Na nossa rotina clínica médica veterinária, recebemos muitos pacientes que perderam a visão totalmente ou parcialmente por fazerem o uso deste tipo de medicação, após traumas em embarque ou durante o transporte, em pista de corridas, pastagens ou por talos de feno, coices de outros animais etc.

As doenças oftalmológicas têm diversas etiologias e podem comprometer em maior ou menor grau a visão dos equinos. Essas doenças podem afetar todas as estruturas do olho ou cada uma delas de maneira individualizada. O tratamento e a recuperação do paciente dependem do agente etiológico, da estrutura ocular envolvida e da gravidade e da cronicidade do caso, podendo o tratamento ser clínico ou cirúrgico. (LAVACH, 1990).
A ocorrência de enfermidades oftalmológicas na clínica veterinária de equinos varia de 3% a 27% (SOMMER, 1984; SZEMES & GERHARDS, 2000). Entre essas enfermidades, as mais frequentemente diagnosticadas são as doenças da úvea, com prevalência de até aproximadamente 50%, e as doenças da córnea, com prevalência de até 28%. As doenças palpebrais, da conjuntiva e/ou da esclera, do sistema lacrimal, do humor vítreo e da lente são menos freqüentes na espécie eqüina (SOMMER, 1984; SPIESS, 1997).

Sempre que o seu cavalo tiver um problema no globo ocular, por menor que seja, o ideal é procurar um médico veterinário especialista para realizar o exame oftálmico, com aparelhos específicos como oftalmoscópio e tenômetros, além dos testes com fluoresceína, teste da lágrima de Schirmer, cloração com rosa bengala, dentre outros para avaliar a integridade de todas as camadas e estruturas oculares que não são vista à olho nu. O uso de spray em globo ocular é totalmente contraindicado pelos especialistas oftalmologistas em qualquer tipo de lesão ocular, não devendo ser usado em hipótese alguma.

LAVACH, J.D. Large animal ophthalmology. St Louis: Mosby, 1990. 395 p.

SOMMER, U. Vorkommen und Behandlung von Augenkrankheiten beim Pferd. 1984. 100f. Tese (Doutorado em Medicina Veterinária) – Pós-graduação em Medicina Veterinária, Tierärztliche Hochschule Hannover.

SPIESS, B.M. Zur equinen rezidivierenden Uveitis. Schweizer Archiv für Tierheilkunde, v.139, n.3, p.126-133, 1997.

SZEMES, P.A; GERHARDS, H. Untersuchungen zur Prävalenz der equinen rezidivierenden Uveitis im Großraum Köln – Bonn. Praktischer Tierarzt, v.81, n.5, p.408-420, 2000.

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