Gera Guerra

Uma entrevista incrível, cheia de história, tradição de família na vaquejada e muita dedicação. Confira o Papo com os Feras com Gera Guerra.

Vou repetir a você uma pergunta feita pelo No Galope ao Kiko Pereira, atual Campeão Nacional ABQM Amador. A categoria Amador da Vaquejada cresceu muito nos últimos anos, para você qual a razão desse crescimento?

É fácil responder esta pergunta, hoje, embora as premiações oferecidas para a categoria profissional sejam bem maiores que as dos Amadores, o número de profissionais é muito pequeno. Nota-se nos últimos anos que a vaquejada mudou muito e as Equipes Profissionais permanecem as mesmas, isso mostra que o crescimento da vaquejada está ligado ao número de vaqueiros Amadores. Acho que o principal motivo do crescimento dos Amadores é a condição social destes, cavalo bom faz vaqueiro bom.

Além de DSD (Don Shady Diego), quais outros animais que você já montou despertaram um amor especial?

Sempre montei nos cavalos oferecidos pelo meu pai, ou seja, lembro de todos os cavalos montei, mas tenho um carinho especial por uma égua sangue inglês, castanha que veio do jóquei. Essa égua foi adquirida por meu avô e eu já estava competindo na categoria amador, foi quando comecei a ganhar prêmio. Acabei ganhando de presente está égua, que já me deu um filho de Don Shady Diego e está com prenhes positiva do DSD novamente.

A família Guerra é tradicional em vaquejada e já compete a décadas. Quais lições e incentivos que você aprendeu com sua família e trás contigo?

Realmente o sobrenome GUERRA é forte dentro da vaquejada, pois, meu avô e meu pai construíram uma história dentro do esporte juntamente com meu tio Ruy Guerra e isso é transmitido naturalmente para a minha geração. Fico feliz quando chego em algum lugar e sou reconhecido por ser descendente de uma família de vaqueiros bons. Meu pai sempre incentivou eu e meu irmão para ser bons vaqueiros, é o que eu tento fazer, ser competitivo com respeito ao próximo.

Existem dois debates grandes na vaquejada sobre as categorias. O primeiro sobre qualificar o profissional sendo alguém que vive do esporte e o amador aquele que trata o esporte como Hobby. O segundo é sobre a qualidade atual de amadores como Fernando Lucena e você, os quais segundo certas opiniões deveriam mudar para a categoria profissional como Fernando Ceres fez. Qual sua opinião sobre estes temas?

Esse tema sempre vai gerar polêmica, entretanto, minha opinião é sempre a mesma, Amador é quem não depende da vaquejada para nada, o cara que sempre correu boi por conta da família ou de qualquer outra forma, mas que corre em seu cavalo e tem condições financeiras de arcar com as despesas de uma vaquejada. Claro que sempre vai existir bons amadores, isso é natural, conforme já disse, cavalo bom vaqueiro bom. Portanto, quem usa a vaquejada como atividade econômica visando obter vantagem ou presta serviço, deve sair da categoria.

O ano de 2012 ficou marcado pelo seu ótimo aproveitamento no CPNV, teve algum momento que você sentiu o título de melhor vaqueiro amador do Brasil ameaçado? Em 2013, vem o bicampeonato?

Realmente 2012 foi um ano bom pra mim dentro da vaquejada, fiz uma bela campanha, consegui consagrar DSD como o melhor cavalo e de quebra fui o melhor entre os Amadores. O CNPV é uma competição longa e muito difícil, quem está entre os primeiros recebe pressão de todos os lados, eu consegui fazer amizades com grandes vaqueiros, tipo Diego Eliziário e Felipe Saraiva, esses foram os principais concorrentes, dois monstros de derrubar boi. Em 2013 as regras mudaram e fica difícil apontar um favorito.

Qual a emoção de derrubar um boi com mais de 20 arrobas e se sagrar campeão do CPNV?

Já tinha ganhado vários prêmios em outros cavalos, só que em DSD as coisas são diferentes ele é um cavalo muito completo, tem muita força, habilidade e resistência de um trator. Cada conquista é uma emoção diferente, sou muito emotivo, mas tento me segurar. Quanto maior o boi para DSD parece que ele gosta e vem com mais vontade, ai fica fácil.

Suas saídas de sela estão eternizadas na memória dos amantes da vaquejada. Você faz com intuito de causar frenesi no público ou isso te facilita dar queda nos touros?

Na verdade, sempre achei muito bonito um vaqueiro que sabe sair de sela, meu pai foi um dos pioneiros nesse tipo de saída sela, que a gente chama de “puxar atravessado”. Eu olhava as fotos e os vídeos que ele tinha para tentar fazer um dia, comecei brincando em casa e como aquele velho ditado “costume de casa vai à praça”, hoje eu tenho muita confiança em fazer e particularmente o DSD gosta. O público gosta de uma coisa diferente e quando estou confiante faço e me sinto bem.

Seu prestígio e reconhecimento é altíssimo no Facebook, onde seu perfil já extrapolou os 5.000 amigos, aceitando apenas assinaturas. Qual sua opinião sobre usar o Facebook para divulgar suas conquistas nas faixas meridionais?

Na verdade quem criou o meu Facebook foi meu irmão Chico Guerra, no início não dei muita atenção, mas depois que percebi que seria importante para interagir com o publico e também divulgar o DSD. Estou sempre publicando. Eu não sabia da força que tem as redes sociais percebi ano passado, meu irmão é meu assessor (risos).  Sempre está me ajudando quanto a isso. Hoje tanto eu quanto o DSD temos admiradores em todo o país, isso é bom, sinal que o público gosta e transmite energia positiva.

Deixe umas dicas a esses fãs “virtuais” da nova geração que se espelham em você para alcançarem resultados do seu nível.

O que posso dizer é que, sou muito grato a todos que sempre me parabenizam pelas conquistas, fico muito feliz com os comentários, e com certeza os bons resultados que venho obtendo nos últimos anos são frutos de muito treinamento e dedicação. Procuro sempre escutar os mais experiente, observar o comportamento de um profissional, ter uma equipe legal, um bom tratador, um bom esteira, isso favorece.