Leptospirose em Equinos da Raça Quarto de Milha

A leptospirose é uma doença infecto-contagiosa que acomete os animais domésticos, silvestres e seres humanos, portanto classificada como uma zoonose . Uma vez contaminada a propriedade com animais, poderá ter grandes perdas econômicas , com gastos veterinários , abortos e até óbito de animais. Possui caráter sazonal , principalmente em áreas de clima temperado, diretamente relacionado a períodos chuvosos.

Transmissão

Equinos podem adquirir a doença pela urina infectada de diversas espécies animais ( roedores , bovinos, caprinos, ovinos e etc.) , tanto em ambientes urbanos quanto rurais . Estudos indicam que equinos podem eliminar leptospiras viáveis na urina durante 14 semanas ou mais , assim contaminando o ambiente , apesar das bactérias do gênero Lepstospira serem pouco resistentes , sendo rapidamente eliminadas pela desidratação e temperaturas entre 50 e 60 graus.

Podem, no entanto, quando em condições favoráveis, sobreviver por períodos longos no ambiente ,facilitando sua transmissão,que se dá quando ela penetra no organismo através de pele lesada e mucosas lesadas ou íntegras. A leptospirose deve ser encarada como uma doença coletiva , onde o plantel deve ser observado e medidas de prevenção tomadas em todos animais , quando um animal identificado com a doença.

Sinais Clínicos

Em equinos a leptospirose pode apresentar sinais oculares (uveíte , cegueira ), sistêmicos (febre , vômito), respiratórios (hemorragia pulmonar) ou reprodutivos (abortamento , crias fracas , natimortalidade), queda no desempenho esportivo e icterícia ( animal apresenta mucosas amareladas), no entanto a maioria dos equinos soropositivos não exibem sinais clínicos evidentes .

Tratamento e prevenção

Medidas de higiene, como manter a propriedade livre de ratos e outras pragas que possam ser transmissoras, higienização dos cochos de água e ração e de áreas de uso comum para vários animais , são fundamentais. Pode-se vacinar os animais, porém a vacina não é 100% eficaz: esta diminui a severidade dos sintomas clínicos e a prevalência da doença .

Exames laboratoriais específicos ,como testes sorológicos , isolamento de leptospiras, PCR, entre outros, devem ser feitos para identificar qual a cepa específica de leptospira para que o tratamento seja mais eficaz. O tratamento é feito com antibioticoterapia , fluidoterapia , antiémeticos e protetores de mucosa gástrica, baseados no combate à bactéria e aos efeitos colaterais da doença .

Bruna B. Zaharov Simon
Proprietária Haras WS e Médica Veterinária
CRMV-SP 32464