HISTÓRIA DA ESPETACULAR BABY

A Baby nasceu de uma égua que apresentava baixa habilidade materna e um quadro característico de rejeição (ignorava a filha, não permitia que ela mamasse e apresentava comportamento agressivo). Além de tudo, a Baby tinha característica de uma potra desmatura (a pesar de nascer na data certa, características como baixo peso, pelo fino e opaco são algumas das características que observamos nesta classe). Neste momento, nossa estratégia era fornecer o plasma e utilizar todas as técnicas que conhecíamos para “melhorar a habilidade e reconhecimento materno” (simulação de parto, administração de medicamentos específicos, correção de comportamentos colocar o cheiro da égua na potra), mas falhamos em todas.

 

A Baby conseguia mamar no teto da égua, desde que ficássemos juntas e corrigíssemos o comportamento da égua porém, no terceiro dia, o leite da égua tinha reduzido significativamente e seu temperamento piorado. Pois bem, foi a hora de tomar a decisão, e decidimos que a Baby seria criada como órfã. A maior preocupação quando você tem um órfão não é que apenas sobreviva, mas que sobreviva com saúde e qualidade, sendo este o maior desafio que temos em relação a criação.

Minha Baby é uma menina especial, ela tem os olhos mais brilhantes que já vi (cheios de vida), como ela já tinha contato com o teto da égua leva um certo tempo até se convencerem a trocar pelo bico da mamadeira (uso madeira para crianças de 6 meses), nada que uma dose de paciência não resolva. Apesar dela ter a nossa companhia constantemente, fomos buscar uma companheira para ela, a “Amiga”, uma borreguinha. Devo lembrar a vocês, que potros órfãos pegam muito do nosso comportamento e até vícios comportamentais (é comum morderem ficarem agressivos e geniosos), e as ovelhas são boas companheiras para ensinar a eles socialização, reduzir a ansiedade e, além disso os hábitos de alimentação que seria o papel das mães.
Fornecemos durante a primeira semana 1 mamadeira de 300 ml a cada 45-60 min (durante 24 hrs), como em três dias não tínhamos mais leite de éguas, optamos por comprar uma vaca para ela, afinal com 30 dias Baby já tomava quase 10 litros de leite ao dia (600 ml a cada 60 min). A diluição nestes casos é necessária pois o teor de gordura do leite de vaca é maior que o de égua (700 ml de leite + 300 ml de agua mineral) e como o leite de égua é mais doce, na primeira semana eu adicionei uma fonte de glicose.

Tivemos o cuidado em usar probióticos durante 30 dias, a vermifugação a cada 45 dias (em ambas) e com 20 dias as duas já comiam ração 3x ao dia (50g), além de feno e alfafa (a pesagem mensal é essencial para avaliar o desenvolvimento, lembrando que a taxa de crescimento esperada nesta fase é de 1,0 – 1,5kg/dia)! Com 5 meses, a Baby foi morar com outro potro, (mesma idade e peso similar), e ali ela passou a saber o que era efetivamente “ser um cavalo”.

Hoje, nossa Baby está com 1 ano e 5 meses, todos os dias eu passo por ela, só para dar um simples OI (e um beijo é claro), ela me faz agradecer pelos desafios que enfrentei e enfrento na neonatologia. Pois é, o que posso fazer, ele são a razão do meu dia-a-dia!!! #tati🐎