Anemia Infecciosa Equina, a Aids do cavalo

Doença infectocontagiosa que acomete equinos, asininos e muares. Enfermidade viral, causada por um RNA vírus da família retrovírus,onde uma vez o animal contaminado se torna portador por toda vida. Afecção potencialmente fatal, chamada também de “Febre dos Pântanos”, devido à grande incidência em regiões alagadiças, pois nessas há grande proliferação de insetos hematófagos que são importantes vetores na transmissão, ou “Aids do cavalo”, devido ao vírus da AIE possuir uma estreita similaridade com o vírus do HIV, pois o vírus sofre mutação antigênica logo após a entrada no organismo, provocando a formação de novas variantes e impossibilitando qualquer tratamento ou vacinação como na AIDS humana.

Doença de notificação obrigatória, cujo laboratório que realizar o exame e o médico veterinário responsável pelo animal contaminado devem notificar o Ministério da Agricultura. Além de levar à morte os animais contaminados, é de fácil transmissão e pode tornar outros indivíduos portadores assintomáticos, sendo potentes disseminadores da doença.

Transmissão

Transferência de sangue de um animal contaminado para outro suscetível, podendo ser de duas maneiras: através de picadas de insetos hematófagos (como mosca do estábulo, mosca do cavalo ou mutucas) e compartilhamento entre animais de instrumentos que entrem em contato com sangue, como agulhas hipodérmicas para administração de vacinas ou coletas de amostras de sanguíneas. A transmissão transplacentária e via leite de égua para o potro também pode ocorrer, como também a transmissão através do sêmen.

Sinais e sintomas

Casos agudos e subagudos: febre intermitente, entre 39° e 41°, anorexia, fraqueza, anemia, depressão nervosa, andar cambaleante, palidez ou amarelamento de mucosas, edemas nas partes baixas do corpo.

Crônico: febre com duração de 1 a 7 dias, e a seguir voltando ao normal por algumas semanas, posteriormente a febre voltando em situações de estresse.

Frequentemente passa despercebido o surgimento da doença, pois o intervalo entre infecções e o aparecimento dos sintomas pode variar de dias até anos, aí é que está o grande perigo para o controle da disseminação e a importância da realização de exames.

Tratamento

Não existe tratamento e nenhuma vacina com efeito comprovado, o indicado e exigido pelo Ministério da Agricultura é que o animal diagnosticado seja isolado e eutanasiado o mais rápido possível para que seja evitada a disseminação. A propriedade que o animal é proveniente também é interditada pelo Ministério e somente será liberada e considerada livre de AIE após 2 exames consecutivos com intervalos de 30 e 60 dias de todos os animais com resultados negativos.

Prevenção

A melhor forma de protegermos nossos animais e evitarmos perdas é através da prevenção. A ameaça é constante e quando menos esperamos surtos, como o ocorrido no ano passado, que nos pegaram de surpresa por simples desleixo de pequenas atitudes, que levam a danos gigantescos, por isso exijam sempre o exame com resultado negativo de qualquer animal novo ou que esteja retornando à propriedade. Mantenha as baias e áreas de convivência dos animais limpos a fim de evitar disseminação de moscas e realize a cada 6 meses exames de todos animais da propriedade.

 

Bruna B. Zaharov Simon
Proprietária Haras WS e Médica Veterinária
CRMV-SP 32464