Almir Xavier

O Papo com os Feras de hoje é com Almir Xavier, fotógrafo profissional em leilões. Ele deu dicas de preparação de cavalos para fotos e ainda comentou da sua perspectiva para os próximos leilões de cavalos Quarto de Milha. Confira!

Conte-nos sobre seu dia a dia, qual a rotina de um fotógrafo de cavalos.

Quando estou em viagem, fotografando para leilões, é sempre uma correria. Levantar cedo é de praxe, para aproveitar ao máximo a luz da manhã. Procuro cumprir o roteiro das fotos do dia,às vezes até sacrificando os horários de almoço, otimizando o tempo o máximo que posso, porém sem descuidar da qualidade das fotografias: o cliente não pode ser penalizado pela agenda. À noite, quando chego no hotel, costumo descarregar as imagens no computador, onde faço uma avaliação do trabalho do dia.

Quais as diferenças entre um click amador e um profissional?

Acho que hoje em dia a diferença entre amador e profissional está cada vez mais próxima. Em termos de qualidade fotográfica, existem amadores que são excelentes profissionais e profissionais que são ótimos amadores. Temos muita informação disponível, cursos, equipamentos acessíveis e softwares poderosos que transformam qualquer imagem; está tudo aí. Para o mercado de varejo fotográfico, isso foi ótimo. Para a fotografia, talvez nem tanto. Então, deixando de lado os aspectos técnicos, o que vai diferenciar os fotógrafos é o talento, a credibilidade da fotografia que fazem e a ética.

Você já fotografou modelos e festas? Qual a diferença deles para o cavalo?

Sim, já fotografei casamentos, books de moda, fotos de produtos e indústrias. A diferença para o cavalo é a linguagem fotográfica. Todas as áreas têm sua linguagem própria e particularidades. Cabe ao fotografo interpretar essa linguagem intrínseca através do olhar e traduzi-la em forma de fotografias.

Qual a sensação de fotografar um animal tão bonito e imponente como o cavalo?

O cavalo é uma animal que nos proporciona uma liberdade criativa muito grande, então você tem inúmeras possibilidades para fazer um trabalho que seja marcante e único. Quando encontramos um belo animal e temos as condições ideais de luz, cenário, clima e principalmente o tempo necessário, sem correrias para trabalharmos, é muito prazeroso fotografá-los.

Existem diferenças nas produções e nos valores entre fotos para catálogo de leilão e fotos de garanhões?

Diferenças de produção, nem tanto. De valores sim, já que as fotografias de garanhões têm um tempo de utilização bem maior, que pode variar entre dois e cinco anos, dependendo da idade do cavalo e da qualidade do material produzido pelo fotógrafo. Além disso são fotografias disponibilizadas para várias mídias. As fotos de leilão quase sempre têm uma utilização única e por um tempo bem curto, geralmente entre 40 e 60 dias antes do evento.

Dê algumas dicas para um bom preparo do animal e alguns detalhes que fazem a diferença numa fotografia.

Para a fotografia o animal precisa estar tosado, ter tomado um banho e estar bem seco. Se é um animal jovem, geralmente peço para ser exercitado horas antes das fotos. Isso é muito útil em fotos posadas. No restante, cascos bem pintados de preto, produtos para dar brilho ao pelo e, claro, um bom repelente de insetos.

Qual a maior loucura que você já fez pra fotografar um cavalo por esse Brasil afora?

Acho que nunca fiz loucuras. Sou bem racional nas minhas decisões e atitudes profissionais. Tenho amor à vida e à minha família, esposa e filha.

O Quarto de Milha vem crescendo ano após ano e com ele o número de leilões que você fotografa. Qual sua perspectiva para os leilões dos próximos anos?

Procuro sempre priorizar meus clientes antigos, aqueles que me acompanham e têm confiado no meu trabalho há anos, mesmo quando ele não era tão bom. Então, mesmo com a demanda de leilões crescendo a cada ano, tenho me preocupado em trabalhar qualitativamente e não quantitativamente. É um pensamento que vai de encontro à filosofia atual do mercado e ao que se espera de um profissional que tem de estar pronto sempre que for solicitado. Mas tenho meu próprio ritmo de trabalho e no lugar de estar fazendo projeções de lucro com os prováveis novos trabalhos que venha a fechar, estou mais preocupado em entregar uma fotografia de qualidade, mostrando aquilo que o animal é realmente, com as proporções certas, uma boa luz e um critério de avaliação correta da pose do cavalo antes do click, para não ter que “refazê-lo” depois no computador. Como já falei antes, me preocupo com a credibilidade e veracidade da fotografia que faço e não com quantos leilões posso prospectar e faturar.

A galera do Facebook sempre vê em primeira mão os clicks que você publica em seu perfil. Qual a repercussão que seu trabalho toma ao ser divulgado no Facebook?

O “Face” é uma excelente ferramenta para nós, fotógrafos, é uma bela vitrine. Com ele temos a oportunidade de avaliar o que agrada ou não ao mercado e às pessoas. O feedback que ele te proporciona é de grande valor. Além disso, é bom saber que as pessoas gostam do nosso trabalho quando curtem, compartilham e principalmente comentam.